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Paulo Jorge  Vieira
  • 00351 914477147
Existem três formas de apreender as relações entre a sociedade e o território. Em primeiro, os territórios podem ser estudados numa perspectiva concreta, quantificável, correspondendo a espaços preenchidos com a acumulação de factos... more
Existem três formas de apreender as relações entre a sociedade e o território. Em primeiro, os territórios podem ser estudados numa perspectiva concreta,
quantificável, correspondendo a espaços preenchidos com a acumulação de factos sociais e sendo as distâncias sociais entre grupos expressas em categorias como
separação/integração social. Em segundo, os territórios emergem de uma negociação contínua, revelando uma realidade material e um significado simbólico,
expressando padrões espaciais e também relações sociais. Estes territórios relacionais encerram processos que constroem categorias sociais que são delineadas
através de práticas materiais discriminatórias (pelos mercados e instituições). Em terceiro, os territórios marginalizados pelas discriminações (racismo, colonialismo,
patriarcado,...) sendo os territórios “na margem” podem constituir eles próprios a dimens~o – como diria Soja (1996), o “terceiro espaço” – para a construção de
identidades flexíveis, e sair das análises tradicionais sobre divisões bin|rias “homem/mulher, normal/deficiente, jovem/idoso,...”, construindo novas formas de
identificação e de relacionamento onde emergem identidades híbridas (Bhabha, 1994), cujos processos estão na origem de algo diferente, novo, uma nova área de
negociação e de sentido ou de representação.
Acreditamos que este Guia pode contribuir para um melhor conhecimento das relações sociedade-território e para aumentar a capacidade de avançar para além das
classificações dicotómicas e maniqueístas, típicas das categorias sociais convencionais, para que se possam reconhecer novas formas de relacionamento entre os
grupos sociais e os territórios que não coincidam com as agendas tradicionais, procurando um nível técnico doutrinário capaz de repensar as suas proposições,
métodos e práticas de trabalho.
Margarida Queirós e Nuno Marques da Costa
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KEYWORDS Polyamory, alternative sexualities, public spaces, identity, cosmopolitism, fear ABSTRACT Through a self-reflexive lens, inspired in the foucauldian care of the self, this essay intends to look at how cosmopolitanism can present... more
KEYWORDS
Polyamory, alternative sexualities, public spaces, identity, cosmopolitism, fear

ABSTRACT
Through a self-reflexive lens, inspired in the foucauldian care of the self, this essay intends to look at how cosmopolitanism can present a potential for subversion but also for the negation of alterity when it presents in the public space, in polyamorous experiences. When public spaces are appropriated, experiences are potentially  democratized, and those spaces are sometimes queered – but the reading of the acts enacted can also be at odds with this objective; at the same time, fear cannot be discounted either, as fear can arise from such public practices, instilling a policing of one’s and others’ behavior.
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Kath Browne is an important geographerin the new generation of researchers in thegeographies of sexualities’ field in theAnglophones countries. Kath Browne’spromising work addresses several issuesrelating geography, sexualities and... more
Kath Browne is an important geographerin the new generation of researchers in thegeographies of sexualities’ field in theAnglophones countries. Kath Browne’spromising work addresses several issuesrelating geography, sexualities and gender.Covering a number of themes pertaining tolesbian women, trans population or researchon sexism and discrimination against theLGBT population.The interview explores the work ofcooperation and integration of geographies ofsexualities in the Royal Geographical Societyand the cooperative work in which shebecame involved during the organization oftheFirstEuropeanConferenceonGeographies of Sexualities in 2011, as well asthe interaction between research and activism.
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Kath Browne é uma importante geógrafa da nova geração de pesquisadores dos países anglófonos na área das geografias dassexualidades. Com uma promissora obra, Kath Browne tem se dedicado a diversas temáticas que relacionam Geografia,... more
Kath Browne é uma importante geógrafa da nova geração de pesquisadores dos países anglófonos na área das geografias dassexualidades. Com uma promissora obra, Kath Browne tem se dedicado a diversas temáticas que relacionam Geografia, sexualidades e gênero. A multiplicidade de temas passa por questões relacionadas às mulheres lésbicas, população trans ouinvestigações sobre sexismo e formas de discriminação à população LGBT. A entrevista explora o trabalho de cooperação e integração das geografias das sexualidades na Royal Geographical Society e o trabalho de cooperação em que se viu envolvida na organização da I Conferência Europeia das Geografias das Sexualidades em 2011, bem como sobre a interação entre investigação e ativismo.
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“COMO PERGUNTAR? E COMO ESCUTAR? – Algumas reflexões éticas sobre a utilização da entrevista em investigação geográfica” in VII Congresso Português de Geografia – Repensar a Geografia para Novos Desafios, Associação Portuguesa de... more
“COMO PERGUNTAR? E COMO ESCUTAR? – Algumas reflexões éticas sobre a utilização da entrevista em investigação geográfica” in VII Congresso Português de Geografia – Repensar a Geografia para Novos Desafios, Associação Portuguesa de Geógrafos e Instituto de Geografia e ordenamento do Território, Universidade de Lisboa, Lisboa, CD-ROM;
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Este texto pretende questionar o modo como a geografia e os estudos urbanos têm investigado a relação entre cidade e diversidade em função da orientação sexual partindo de um modelo diferenciado que tem privilegiado a investigação sobre... more
Este texto pretende questionar o modo como a geografia e os estudos urbanos têm
investigado a relação entre cidade e diversidade em função da orientação sexual partindo de
um modelo diferenciado que tem privilegiado a investigação sobre os chamados “bairros gays”
e os processos de zonificação e territorialização da orientação sexual. Deste modo
potenciamos neste texto alguns aspectos teóricos que permitam pensar a ligação entre cidade
e (homo)sexualidades para além do “bairro”.
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Partindo de uma expressão auto-reflexiva, este trabalho pretende analisar os modos de expressão e presença em espaço público das relações poliamorosas. A diversidade de apropriações do espaço público por parte dos diferentes grupos... more
Partindo de uma expressão auto-reflexiva, este trabalho pretende analisar os modos de expressão
e presença em espaço público das relações poliamorosas. A diversidade de apropriações do espaço
público por parte dos diferentes grupos sexuais e relacionais parece ser assim um elemento de
construção de uma forma diferenciada de cosmopolitismo nas cidades contemporâneas. Este
cosmopolitismo não deve no entanto ignorar o medo que pode resultar destas práticas públicas, e
as consequências que este tem no policiamento dos comportamentos.
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Em julho de 2010, a Argentina se colocou na posição de vanguarda Latino-americana no reconhecimento do direito dos casais homossexuais ao casamento civil. Além da legitimação da igualdade na esfera pública entre relações homossexuais e... more
Em julho de 2010, a Argentina se colocou na posição de vanguarda Latino-americana no reconhecimento do direito dos casais homossexuais ao casamento civil. Além da legitimação da igualdade na esfera pública entre relações homossexuais e heterossexuais, o fato implica a subversão do caráter heteronormativo do casamento e da constituição da família, o que gera uma demanda de transformação da perspectiva de compreensão de relações sociais que regulam os laços de dependência entre as pessoas formadoras das unidades familiares. As transformações em torno da cidadania homossexual trazem desafios políticos e teóricos enfrentados por várias ciências sociais, inclusive pela Geografia. É nesse efervescente contexto que temos a honra de entrevistar Larry Knopp, um dos mais importantes geógrafos queer da contemporaneidade e incansável teórico que faz de sua prática acadêmica sobre espaço, sexualidade e cidadania também uma luta política.
Larry Knopp realizou seu doutorado em Geografia pela Universidade de Lowa em 1989 e atualmente é diretor da Faculdade Interdisciplinar de Ciências e Artes da Universidade de Washington Tacoma. Larry Knopp tem como um de seus mais frequentes parceiros na produção de diversos artigos e capítulos de livros, o geógrafo Michael Brown. Juntos, têm levantado desafios que envolvem a Geografia com a justiça social, a política e a cidadania relacionadas com as sexualidades. A partir desta entrevista esperamos que as ideias de Larry Knopp se difundam pela comunidade geográfica da América Latina, de modo a estabelecer um diálogo produtivo nos mais variados lugares em que haja o interesse pela abordagem da Geografia Queer.
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Since July 2010, Argentina are the position of Latin American vanguard in recognizing the right of same sex couples to civil marriage. In addition to the legitimization of equality in the public sphere between homosexual and heterosexual,... more
Since July 2010, Argentina are the position of Latin American vanguard in recognizing the right of same sex couples to civil marriage. In addition to the legitimization of equality in the public sphere between homosexual and heterosexual, the fact implies the subversion of the heteronormative character of marriage and family formation, which creates a demand for change from the perspective of understanding of social relations that rules the bonds of dependency between people forming family units. The transformations in terms of citizenship and queer politics pose challenges to the various social sciences, including by geography. In this effervescent context that we have the honor of interviewing Larry Knopp, one of the most important geographers of contemporary queer theory, questioning what makes his practice on academic space, sexuality and citizenship also a political struggle.
Larry Knopp held a doctorate in geography from the University of Iowa in 1989 and is currently director of the School Interdisciplinary Arts & Sciences at the University of Washington - Tacoma. Larry Knopp has as one of their most frequent partners in the production of numerous articles and book chapters the geographer Michael Brown. Together they have raised challenges involving the geography with social justice, politics and citizenship related to sexuality. From this interview we hope that the ideas of Larry Knopp will spread in the geographical community in Latin America, in order to establish a productive dialogue in various places where there is interest in the approach of Queer Geography.
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Há quinze anos o geógrafo britânico, David Bell, publicou um texto no periódico Environment and Planing D, Society & Space sob o título de [Screw]ing Geography (censor's version). Este título foi resultado da censura editorial do título... more
Há quinze anos o geógrafo britânico, David Bell,
publicou um texto no periódico Environment and
Planing D, Society & Space sob o título de [Screw]ing
Geography (censor's version). Este título foi resultado
da censura editorial do título original Fucking
Geography, de um trabalho anteriormente submetido
ao encontro científico da Associação Americana de
Geógrafos em 1994. Essa experiência
pessoal/profissional de David Bell foi alvo de reflexão
em outro texto, publicado em 2009, com o título
Fucking Geography, Again. Neste último texto, o autor
traz para discussão elementos que ultrapassam a escala
pessoal de sua experiência, tornando visíveis as formas
de poder que moldam o discurso geográfico e que
produzem as pretensas verdades científicas.
Explorar a trajetória pessoal e científica desse
impetuoso geógrafo é um excitante desafio para nós,
geógrafos de lugares para além do mundo anglo-saxão
e que estamos a construir nossas próprias lutas, em
outros espaços-tempos para afirmar as sexualidades
como elemento componente da análise geográfica.
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Fifteen years ago the British Geographer, David Bell published a text in the journal Environment and Planing D, Society & Space under the title [Screw] ing Geography (censor's version). This title was the result of editorial censorship of... more
Fifteen years ago the British Geographer, David
Bell published a text in the journal Environment and
Planing D, Society & Space under the title [Screw] ing
Geography (censor's version). This title was the result
of editorial censorship of the original title Fucking
Geography, a paper previously submitted to the
scientific meeting of the American Association of
Geographers in 1994. This personal/professional David
Bell's experience was the subject of discussion in
another article published in 2009 with the title
“Fucking Geography, Again”. In the latter text, the
author brings into discussion elements that go beyond
the scale of his personal experience, making visible the
forms of power that shape the geographic discourse
and produce the alleged scientific truths.
Exploring the personal and scientific path of this
impetuous Geographer, is an exciting challenge for us,
geographers in places beyond the Anglo-Saxon world,
at the moment that we are building our own struggles,
in other space/time to assert sexualities as a component
element of geographical analysis
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“encounters in the romantic city. Cartographies of Seduction and Spatiality’s of Queer Tourism in Lisbon” ‘, in D Picard and C Amaral (eds), Proceedings of the TOCOCU 1st Biannual Conference (Lisbon, Portugal, 9-12 September 2010).... more
“encounters in the romantic city. Cartographies of Seduction and Spatiality’s of Queer Tourism in Lisbon” ‘, in D Picard and C Amaral (eds), Proceedings of the TOCOCU 1st Biannual Conference (Lisbon, Portugal, 9-12 September 2010). Sheffield, UK: TOCOCU.
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As relações entre espaço e sexualidade têm sido objecto de um interesse crescente pelas ciências sociais, com particular destaque para a Geografia Humana. No debate em torno da ‘epistemologia do armário’, proposta por Sedgwick (1994;... more
As relações entre espaço e sexualidade têm sido objecto de um interesse crescente pelas ciências sociais, com particular destaque para a Geografia Humana. No debate em torno da ‘epistemologia do armário’, proposta por Sedgwick (1994; 2004), e a sua espacialidade (BROWN, 2000; 2006) é reafirmado o olhar metafórico, mas territorializado, da presença do armário nas vivências urbanas da população lésbica, gay e bissexual. São apresentadas algumas da hipóteses em torno das sociabilidades homossexuais na cidade de Coimbra, salientando o facto desta população lésbica, gay e bissexual ter uma crescente visibilidade na cidade organizando-se fortemente em redes de amizade com um papel essencial nas suas sociabilidades. Deste modo, essa franja da população, constrói modelos de sociabilidade e vivência de determinados locais da cidade que funcionam como espaços de segurança e visibilidade e que têm vindo a ser apropriados por essa população.
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Neste texto partimos de cinco espaços da cidade de Lisboa para analisar os modos de uso e apropriação do espaço publico e semi publico por parte de lésbicas e gays nesta cidade portuguesa. Este texto está integrado num projecto de... more
Neste texto partimos de cinco espaços da cidade de Lisboa para analisar os modos de uso e apropriação do espaço publico e semi publico por parte de lésbicas e gays nesta cidade portuguesa. Este texto está integrado num projecto de investigação em geografia social (das sexualidades) que pretende conhecer as espacialidades lésbicas e gays da cidade assumindo a etnografia como metodologia base, e a investigação acção como elemento fundamental do processo de construção do conhecimento.
Estes espaços são identificados como elementos paradigmáticos dessa apropriação do espaço urbano por parte de lésbicas e gays num processo em que os sentidos e sentimento de pertença à cidade se compaginam como uma heterotopia constelar de usufruto do espaço urbano.
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Partindo da ligação história e simbólica entre cidade e (homo)sexualidade este texto pretende alinhar alguma da discussão conceptual presente nos estudos geográficos – essencialmente provenientes da geografia urbana, da geografia social... more
Partindo da ligação história e simbólica entre cidade e (homo)sexualidade este texto pretende
alinhar alguma da discussão conceptual presente nos estudos geográficos  –  essencialmente
provenientes da geografia urbana, da geografia social e da nova geografia cultural  –  sobre
sexualidade. Deste modo centramos a nossa análise essencialmente em estudos advindo do
campo disciplinar da geografia para pensar a importância dos espaços urbanos na construção
das subjecividades gays e lésbicas. Ainda que esta seja referida como uma ligação histórica, na
modernidade, daremos particular atenção as alterações e transformações contemporâneas dos
espaços urbanos. Construímos o texto a partir de 4 duplas de conceitos: Multidão e
Anonimato,Movimento e Encontro, Armário e Visibilidade, Consumo e Identidade onde
dicutiremos esses referenciais conceptuais.
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A investigação sobre sexualidades, mormente os estudos LGBT e quer, são por necessidade e princípio epistémico e ontológico uma área transdisciplinar e interdisciplinar. Este texto parte desta afirmação para pensar como é que a partir da... more
A investigação sobre sexualidades, mormente os estudos LGBT e quer, são por necessidade e princípio epistémico e ontológico uma área transdisciplinar e interdisciplinar. Este texto parte desta afirmação para pensar como é que a partir da geografia e dos estudos urbanos, podemos pensar a inter-relação ente políticas do armário e políticas urbanas.
Os conceitos sociais de armário e visibilidade são figuras centrais da investigação sobre sexualidades e espaço urbano. É no ensaio Epistemologia do Armário – um dos textos fundamentais da ‘teoria queer’ – que Eve Kosofsky Sedgwick propõe “que muitos dos ‘nós’ principais do pensamento e da cultura ocidental do século XX estão estruturados – de facto fracturados – por uma crise crónica, hoje endémica, de definição da homo/heterossexualidade, sobretudo a masculina, e que está datada desde o final do século XIX” (2004: 11). A autora reforça o olhar bifocado sobre a metáfora do armário – note-se o carácter espacial desta metáfora como o assinalou Michael Brown no livro Closet Space (2000) – afirmando que, ao mesmo tempo, “o armário responde às necessidades representacionais mais íntimas” (Segdwick, 2004: 9) e, por outro lado, “o armário é a estrutura que melhor sintetiza a opressão gay deste século” (Segdwick, 2004: 11).
Neste sentido e partida da poderosa metáfora do armário/visibilidade - materializada em construção de políticas públicas para os direitos humanos, e dos quotidianos LGBT em espaço urbano – pretendemos pensar a construção de políticas urbanas e de políticas públicas de âmbito local. Estes instrumentos políticos (e de planeamento) são assim processos e procedimentos de armarização/visibilização deste colectivo, ainda que se configurem como instrumentos fundamentais da intervenção do movimento LGBT no âmbito local em particular nas cidades globais.
Partindo do exemplo de Barcelona (Espanha) e do seu “Plan Municipal para el Colectivo de lesbianas, gays, transexuales y bisexuales (LGTB)” demonstraremos a importância que este instrumento de planeamento local têm na construção de discursividades sobre a promoção e defesa dos direitos humanos focados neste colectivo. Este plano demonstra ainda a importância das diversidades internas da população LGBT como elemento fundamental na construção de políticas locais de promoção da igualdade.
Este texto pretende questionar o modo como a geografia e os estudos urbanos têm investigado a relação entre cidade e diversidade em função da orientação sexual partindo de um modelo diferenciado que tem privilegiado a investigação sobre... more
Este texto pretende questionar o modo como a geografia e os estudos urbanos têm investigado a relação entre cidade e diversidade em função da orientação sexual partindo de um modelo diferenciado que tem privilegiado a investigação sobre os chamados “bairros gays” e os processos de zonificação e territorialização da orientação sexual (JORDE, 2005). Deste modo potenciamos neste texto alguns aspectos teóricos que permitam pensar a ligação entre cidade e (homo)sexualidades para além do “bairro” e da investigação centrada nessa temática no quadro do que tem sido elementos críticios surgidos em inúmeros estudos (ALDRICH, 2004; BELL, 2001; BELL e BINNIE, 2000; BROWNE, LIM e BROWN, 2009)
Partindo de uma correlação teórica entre migrações, mobilidades e orientação sexual não heterossexual este ensaio pretende explorar alguns debates relacionados com os modos de exclusão/inclusão dos imigrantes que se autoidentificam... more
Partindo de uma correlação teórica entre migrações, mobilidades e orientação sexual não heterossexual este ensaio pretende explorar alguns debates relacionados com os modos de exclusão/inclusão dos imigrantes que se autoidentificam enquanto gays nas cidades de residência nos países de chegada.
Tendo em conta a importância dos movimentos migratórios na contemporaneidade – e dando destaque as/ às migrações de ex-territórios coloniais - este estudo será pois a investigação destas formas de continuidade da ‘relação colonial’ num grupo específico - auto-identificado como homossexual masculino de nacionalidade brasileira -  e procurará cruzar o racismo, a xenofobia e a colonialidade com outras formas de exclusão como seja o heterossexismo e a homofobia.
Partimos portanto de uma duplicidade de área temáticas: os estudos sobre imigração e os estudos queer aglomerados num quadro teórico nascido da teoria pós-colonial,  e repensaremos assim a importância da sexualidade, da raça e da nacionalidade na construção da subjectividade e do self a partir de um modelo exploratório dos quotidianos e do espaço/tempo da dicotomia inclusão/exclusão.
A nossa experiencia exploratória parte ainda de um processo etnográfico realizado a quando da investigação para um tese de mestrado em geografia sobre espacialidades e sociabilidades lésbicas e gays na cidade de Lisboa. No trabalho etnográfico realizado foi notória a presença nos espaços e de encontro e diversão nocturna de população migrante oriunda do Brasil.
Este ensaio explora assim alguns desses processos e práticas sociais a partir da dicotomia exclusão/inclusão no uso e apropriação do espaço público da cidade de Lisboa levantando algumas questões que poderão abrir novos caminhos de investigação nos estudos sobre migrações internacionais, bem como nos estudos queer.
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A double reflection is the basis of this text: first over the past 14 years was interviewed about a dozen times for various research projects and masters theses and doctoral degrees, second in the last 6 years I have conducted research on... more
A double reflection is the basis of this text: first over the past 14 years was interviewed about a dozen times for various research projects and masters theses and doctoral degrees, second in the last 6 years I have conducted research on interrelationships between geography, gender and sexuality (Vieira, 2005 and 2010) in which I used as a semi structured interview method.
Over the years I have reflected on the importance of the interview, in particular, and qualitative research in general, in building a committed and critical social knowledge. In this sense leaving my personal reflection as interviewee and interviewer as I intend to rethink the ways in which ethical issues arise in the investigation process.
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Departing from an auto-reflexive expression, this work intends to analyse the public presence and expression of polyamorous relationships. The different appropriations of public space by different sexual and relational groups seem to be a... more
Departing from an auto-reflexive expression, this work intends to analyse the public presence and expression of polyamorous relationships. The different appropriations of public space by different sexual and relational groups seem to be a form of differentiated way to construct cosmopolitism in contemporary cities. Still, this cosmopolitism must not ignore the fear that may arise from such public practices, and how that impacts the policing of behaviour.
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This text corresponds to the presentation of some main lines of the master's thesis developed at the Institute of Geography and Spatial Planning, University of Lisbon entitled "From the neighborhood and beyond the neighborhood - space,... more
This text corresponds to the presentation of some main lines of the master's thesis developed at the Institute of Geography and Spatial Planning, University of Lisbon entitled "From the neighborhood and beyond the neighborhood - space, heterotopias and constellations oflesbians and gay men in Lisbon".
The theme of the project it proposes, intends to conduct a first study on geographic spatiality of lesbians and gays in the city of Lisbon, in the wake of investigations in other geographical contexts within the social and cultural geography. In this paper we discussed some of the fundamentals of the theory including the concept of heterotopia Michel Foucault and Walter Benjamin's constellation.
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As mudanças ocorridas na Universidade durante as últimas décadas, aquilo que alguns autores (Oliveira, 2003) designam de “reforma neoliberal da Universidade”, são marcadas pela progressiva mercadorização do conhecimento científico e... more
As mudanças ocorridas na Universidade durante as últimas
décadas, aquilo que alguns autores (Oliveira, 2003) designam de “reforma neoliberal da Universidade”, são marcadas  pela progressiva mercadorização do conhecimento científico e
pela crescente precariedade da sua força de trabalho (Bratich, 2007). Paralelamente, ao nível das ciências sociais, observa-se um recrudescimento da utilização de abordagens neopositivistas de forma acrítica em relação aos poderes preponderantes sobre a academia do mundo ocidental.
No seu conjunto, estas mudanças contribuem para a desvalorização da componente social da investigação, a favor de formas relativamente  acríticas, instrumentais e tecnocráticas de
produção de conhecimento, desligadas dos contextos sociais que visam compreender e explicar, sendo omissas relativamente às  efectivas possibilidades de transformação dos
mesmos.
Partindo desta leitura do  actual contexto em que se produz conhecimento científico sobre os espaços urbanos, o Manifesto Urbano propõe um debate sobre o modo como a investigação
que se dedica a esta temática pode tornar-se mais adequada, ou mais directamente utilizável, com vista à mudança e à transformação social  que se afigure desejável, no sentido de uma cidade mais justa e inclusiva. Neste quadro, várias questões se tornam pertinentes, quer pela actuação dos investigadores, quer pelo contexto em que exercem a sua actividade.
Atento a esta realidade, António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, no seu discurso de abertura do ano académico (2010/2011), apelou à necessidade de “alterar as nossas
prioridades, substituir o frenesim da competição e do consumo por novas formas de convivialidade e de solidariedade, de participação no espaço público”.
Uma das formas de desenvolver uma dinâmica que vise a concretização deste desejo, cristalizando também um movimento no sentido  da desobediência contra a dupla lógica neoliberal/positivista, passa pelo reconhecimento da existência de formas distintas de produção do conhecimento científico que visam colocá-lo ao serviço da transformação social.
Do ponto de vista da investigação urbana, um  dos caminhos possíveis passa pela criação e desenvolvimento de “alianças do conhecimento” (Novy, 2010), que integrem activistas/praticantes e investigador@s, no sentido de promover imaginários alternativos que (re)criem as bases para práticas emancipadoras que não ignorem a diversidade de saberes, perspectivas e escalas de intervenção no urbano. Este workshop tem como objectivo principal abrir um espaço de partilha de experiências  e reflexões em torno de quatro desafios fundamentais para uma investigação urbana ao serviço da transformação social:
O desafio do conhecimento, ou seja, do desenvolvimento de “alianças do conhecimento” que coloquem em diálogo no mesmo patamar e reconheçam a natureza complementar, a
diversidade de linguagens e metodologias mobilizadas pelos activistas/praticantes e investigador@s urbanos num processo de aprendizagem mútua;

O desafio da (in)disciplinaridade na investigação do urbano, isto é, da rejeição do imperialismo disciplinar e de abordagens fragmentadas e parcelares institucionalizadas pela divisão
académica do trabalho e reproduzidas pelas convenções do homo academicus;

O desafio do tempo, pois, no quadro das mudanças associadas à “reforma neoliberal da Universidade”, este tornou-se um recurso escasso que compromete não só as possibilidades do estabelecimento de “alianças do conhecimento”, mas também a sua sustentabilidade;

O desafio da ética e da normatividade, ou seja, da necessidade de olhar para as ciências sociais e para os investigadores como não estando fora da realidade que procuram compreender e sobre a qual procuram agir (a procura de uma maior integração da investigação na sociedade).
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This paper is based in a feminist participatory ethnography in queer space in Lisbon (Portugal) and will discuss the way as ‘queer spatiality’ is constructing by gay and lesbian in their everyday life as a foucaultian heterotopia. This... more
This paper is based in a feminist participatory ethnography in queer space in Lisbon (Portugal) and will discuss the way as ‘queer spatiality’ is constructing by gay and lesbian in their everyday life as a foucaultian heterotopia. This process is a ‘other space’ of contellations belonging for lesbians and gays based in their spatial practices and discourse in this everyday life in cruising areas and nightlife neighborhood, but also em others spaces of the city. As a city marked by an heteronormative absence in the practices of urban politics and policy Lisbon is a urban scene where this heterotopias of belonging reinforce the importance of visibility and of citizenship, especially ‘sexual rights’ and ‘the rigt to the city’, in the practices and discourses of gay and lesbian in urban space.
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The body, the first expression (albeit absent) of human nature is a locus of continuing colonial relations, the scene of the coloniality of being and knowing. But it will always be remembered that the bodies are seen as different, for... more
The body, the first expression (albeit absent) of human nature is a locus of continuing colonial relations, the scene of the coloniality of being and knowing. But it will always be remembered that the bodies are seen as different, for example on gender or “race”? In this paper we work only colonized the male body, or if we are to blacks since our analysis focuses on the former Portuguese colonies in Africa. This paper intends to analyze why the modes of representation of black males in the illustrations - mostly photographs – in the books Outras Terras Outras Gentes (otogar) and Ronda de África (RA) from Henrique Galvao.
Given this objective in the first part decide some attention to a theoretical framework in which the dialogue coming from gender studies, mainly so-called 'men's studies', and critical / postcolonial theory. In this sense we analyze the concepts of hegemonic masculinity, masculinity post-colonial stereotype (with particular attention to Homi K. Bhabha), among others
We will devote attention after the links between visual representations, including photography and colonialism in order to structure a critique of the model representation used by Henrique Galvão two works in this imperial writing
Highlighting the trip as a metaphor of imperial conquest, Henrique Galvão did use the trip as well metaphorically colonization process and imposing a look on the colonized Other. We tried therefore bolster the role of travel as an expression of European colonialism, especially in Africa. The next moment of our work we present a brief biography of Henry Galvão defending its role in promoting colonial and imperial in this generation of politicians and writers during the decades of 20 and 30 of the twentieth century, where the author of Outras Terras Outras Gentes acquires a leading role in promoting this imperial ideology.
Then follows the presentation of some examples of photographic reproduction of extracts and studied the works that show us the model of colonial masculinity play in these works. Analyze how the 'monumentality' black body and its various ways of constructing the colonial stereotype of colonial mimicry and reproduction of the Other, will help promote the city a feeling of superiority that had (and will) continuities post-colonial relations between Portugal and its colonies, especially in cases of discrimination against migrants in the Portuguese society.
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