- Inês Leitão is an integrated researcher (without PhD) at ARTIS – Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras, ... moreInês Leitão is an integrated researcher (without PhD) at ARTIS – Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa (FLUL), developing activity in the Az – Rede de Investigação em Azulejo. She is currently a doctoral fellow of the Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT), at FLUL, in the context of which she studies contemporary tile production applied in public space (1950-2020). In 2016 she obtained a master’s degree in Art, Heritage and Theory of Restoration by the same faculty, with a dissertation entitled "A arte pública e a construção do lugar. A presença do azulejo (1970-2013)". As a researcher she has been involved in some projects, such as Az Infinitum – Azulejo Indexation and Referencing System and Cataloguing Portuguese tile patterns, having also integrated the permanent team of the monthly seminar AzLab – Studies on Azulejo. She also participated in the project Off-Off Lisbon: Alternative Urban Narratives, developed by the group THELEME – Interart and Intermedia Studies (Centre for Comparative Studies, FLUL). Her main research interests are contemporary azulejo and public space, with chapters of books and articles published.edit
One of the aspects that has supported the idea of the azulejo (tile) as a cultural heritage of the Portuguese identity is its continuous employment since the end of the fifteenth century until today, now having become a part of the... more
One of the aspects that has supported the idea of the azulejo (tile) as a cultural heritage of the Portuguese identity is its continuous employment since the end of the fifteenth century until today, now having become a part of the projects of artists, architects and designers. This article seeks to ponder upon the relationship that contemporary authors have established, or not, with this appreciation of the azulejo as an art connected to identity, discerning the reasons that have led them to select it for their pieces. /// Um dos aspectos que tem sustentado a ideia do azulejo como herança identitária portuguesa é a sua aplicação contínua, desde o final do século XV, integrando, na contemporaneidade, projectos de artistas, arquitectos e designers. O presente artigo procura reflectir sobre a relação que os autores contemporâneos estabeleceram, ou não, com este entendimento do azulejo enquanto arte identitária, observando as razões que estiveram na base para a opção de recorrer ao azulejo no contexto das suas obras.
Research Interests:
In Portugal, the azulejo (tile) is part of the urban scenery since the 19th century. However, it was only since the 1950s that it began to be worked as a public art element. This fact is related to the way of thinking the city after the... more
In Portugal, the azulejo (tile) is part of the urban scenery since the 19th century. However, it was only since the 1950s that it began to be worked as a public art element. This fact is related to the way of thinking the city after the post-War, which proposed the articulation between modern art and functionalist architecture, in order to requalify the urban space. Starting in 1970s, the concept of public art changes, focusing its work in the habitability of space through the memories and everyday experiences of the community, with the purpose of converting a certain location into a place that belongs to its users. This paper aims to reflect on the contemporary azulejo production in the context of public art, proposing as a case study the Lisbon São Sebastião Underground Station, which was the object of two artistic programs – one in the 1950s and the other between the 1990s and 2009, the first being authored by Maria Keil (1914-2012) and the second by the same artist but in conjunction with the architects Catarina Almada Negreiros (1972) and Rita Almada Negreiros (1970). The two interventions witness the different understandings and changes introduced to the concept of public art, which evolve in the direction of the azulejo articulation with the architecture and the surrounding area, thus constructing the place. /// Em Portugal, o azulejo faz parte do imaginário urbano desde o século XIX, mas só a partir da década de 1950 é que começou a ser trabalhado como elemento de arte pública. Este facto está relacionado com a forma de pensar a cidade depois do pós-Guerra, que propunha a articulação da arte moderna com a arquitectura funcionalista, no intuito de requalificar o espaço urbano. A partir da década de 1970, também a concepção de arte pública se altera, passando então a trabalhar a habitabilidade do espaço através das memórias e vivências quotidianas da comunidade, com o objectivo de transformar um determinado local num sítio de pertença dos seus usufruidores. Este artigo pretende reflectir sobre a produção azulejar contemporânea no contexto da arte pública, propondo como caso de estudo a estação de São Sebastião do Metropolitano de Lisboa, que foi objecto de dois programas artísticos – um na década de 1950 e outro entre a década de 1990 e 2009, sendo o primeiro da autoria de Maria Keil (1914-2012) e o segundo da mesma artista mas em articulação com as arquitectas Catarina Almada Negreiros (1972) e Rita Almada Negreiros (1970). As duas intervenções testemunham os diferentes entendimentos e as alterações introduzidas ao conceito de arte pública, que evoluem no sentido da articulação do azulejo com a arquitectura e com o espaço envolvente, construindo o lugar.
Research Interests:
This essay's primary objective is to rethink the use of frames in contemporary azulejo by presenting how artists have been approaching this subject, whether to rescind of frames or to use them. In order to achieve this goal we present six... more
This essay's primary objective is to rethink the use of frames in contemporary azulejo by presenting how artists have been approaching this subject, whether to rescind of frames or to use them. In order to achieve this goal we present six case studies, three of which focus on no framing as way to blend azulejo coverings in its urban environment, whereas the others demonstrate how the artists use frames in order to contemporarily reinterpret azulejo traditions. /// O presente artigo tem como principal objectivo repensar a utilização de emolduramentos na azulejaria contemporânea, propondo uma perspectiva de análise sobre a forma como os artistas têm interpretado esta questão, optando quer pela sua presença, quer pela sua ausência. Para tal, apresentam-se seis casos de estudo, três dos quais reflectem a forma como os artistas concebem os seus revestimentos azulejares sem aplicarem emolduramentos, com o objectivo de integrar a obra na própria paisagem urbana. Os restantes demonstram a maneira como alguns dos artistas compreendem as soluções de remate, através de uma reinterpretação contemporânea da tradição azulejar.
Research Interests:
Although the azulejo has been understood since the 1950s, as a public art element, only in the early 1970s it began to be worked in order to contribute to the urban lanscape. This fact relates to the new approach to space by some... more
Although the azulejo has been understood since the 1950s, as a public art element, only in the early 1970s it began to be worked in order to contribute to the urban lanscape. This fact relates to the new approach to space by some theorists, namely Michel Foucault and Henri Lefebvre who, in the late 1960s, argued that “the space is socially produced” through the everyday experiences of the citizens (Lefebvre 1991 26-33). This debate around the space, and consequently the place, influenced the way artists worked and understood public art. That is, as a proposal that involves the community. In Portugal, in what concerns azulejo, this perspective starts with the project of João Abel Manta (1928) for the earth retaining wall (1970-1982), at Avenida Calouste Gulbenkian (Lisbon). Taking into account the characteristics and dynamics of the surrounding area, located near a highway, the artist proposes a ceramic covering to be perceived in motion, through a rhythmic game between forms and colors, which are diluted with the landscape. Since then, the azulejo has been one of the intervention elements of urban culture, manifesting itself mainly on the ‘new public spaces’ (Cresswell 2006, 21-22). These are circulation places (motorways, public transport stations, bridges, viaducts, etc.), which are derived from recent urban mobility (cars, public transport, ferryboats and air transport). At the forthcoming AzLab session it will be presented some examples that show how the most recent works on azulejo have taken into account the social and cultural context of the community in its daily life, in order to transform the space into a belonging place for the community. /// Embora o azulejo seja entendido, desde a década de 1950, como elemento de arte pública, só no início de 1970 é que começou a ser trabalhado com o intuito de contribuir para o melhoramento urbano. Tal relaciona-se com a nova abordagem ao espaço por parte de alguns teóricos, nomeadamente Michel Foucault e Henri Lefebvre que, nos finais da década de 1960, defendiam que «o espaço é socialmente produzido» através das vivências quotidianas dos cidadãos (Lefebvre 1991, 26-33). Este debate em torno do espaço, e consequentemente do lugar, influenciou a maneira como os artistas trabalhavam e entendiam a arte pública. Ou seja, como uma proposta que envolve a comunidade. Em Portugal, e no que diz respeito ao azulejo, o início desta perspectiva acontece com o projecto de João Abel Manta (1928) para o muro de suporte de terras (1970-1982), na Avenida Calouste Gulbenkian (Lisboa). Tendo em conta as características e dinâmicas do espaço envolvente, localizado junto de uma via rápida, o artista propõe um revestimento cerâmico para ser percepcionado em movimento, através de um jogo rítmico entre formas e cores, que se diluem com a paisagem. Desde então, o azulejo tem sido um dos intervenientes da cultura urbana, manifestando-se principalmente nos «novos espaços públicos» (Cresswell 2006, 21-22). Estes são locais de circulação (auto-estradas, estações de transportes públicos, pontes, viadutos, entre outros), que derivam das mobilidades urbanas recentes (os automóveis e os transportes rodoviários, fluviais e aéreos). Na próxima sessão do AzLab serão abordados alguns exemplos que mostram de que forma as mais recentes obras em azulejo têm tido em consideração o contexto social e cultural da comunidade que convive com a obra, no seu dia-a-dia, de maneira a construir o lugar, ou seja, a transformar o espaço num sítio de pertença da comunidade.
[Bibliographical references /// Referências bibliográficas:
Cresswell, Tim. 2006. On the move: mobility in the modern Western world. Londres e Nova Iorque: Routledge.
Lefebvre, Henri. 1974. La Prodution de l’ Espace. [s.l.]. Tradução de Donald Nicholon-Smith. 1991. The Production of Space. Oxford: Blackweel Publishing.]
[Bibliographical references /// Referências bibliográficas:
Cresswell, Tim. 2006. On the move: mobility in the modern Western world. Londres e Nova Iorque: Routledge.
Lefebvre, Henri. 1974. La Prodution de l’ Espace. [s.l.]. Tradução de Donald Nicholon-Smith. 1991. The Production of Space. Oxford: Blackweel Publishing.]
Research Interests:
O papel que o inventário representa na salvaguarda do património, no conhecimento produzido sobre ele e, consequentemente, na sensibilização de todos os agentes que com ele lidam, e que dele usufruem, é hoje plenamente reconhecido, embora... more
O papel que o inventário representa na salvaguarda do património, no conhecimento produzido sobre ele e, consequentemente, na sensibilização de todos os agentes que com ele lidam, e que dele usufruem, é hoje plenamente reconhecido, embora esta consciência não se tenha traduzido na existência de inventários efectivos, sobretudo no que diz respeito ao azulejo in situ.
O Az Infinitum – Sistema de Referência e Indexação de Azulejo, desenvolvido pela Rede Temática João Miguel dos Santos Simões (ARTIS-IHA – FLUL), em parceria com o Museu Nacional do Azulejo e a empresa Sistemas do Futuro, procura dar resposta a esta questão tendo sido iniciado, em 2009, um inventário sistemático de revestimentos cerâmicos a partir de projectos de investigação, de dissertações de mestrado e teses de doutoramento cujos resultados podem ser consultados em linha [http://redeazulejo.fl.ul.pt/pesquisa-az/imovel_pesquisa.aspx].
No que diz respeito ao azulejo contemporâneo, a sua inventariação é ainda mais necessária pela falta de sensibilidade das instituições, e população em geral. Em todo o caso, esta situação parece ter vindo a alterar-se, nos últimos anos, numa mudança gradual que tem reflexos na classificação de imóveis, como a sede da Fundação Calouste Gulbenkian ou o Pavilhão de Portugal, e com acções pontuais de protesto com o fim de impedir a destruição e/ou remoção do património cerâmico contemporâneo aplicado.
À semelhança da diversidade que caracteriza a arte contemporânea em geral, o inventário do azulejo contemporâneo, nomeadamente o que foi produzido e aplicado a partir da segunda metade do século XX até aos dias de hoje, apresenta algumas particularidades em relação à produção anterior. No caso do azulejo português, estas especificidades prendem-se, principalmente, com o aparecimento de novas tipologias arquitectónicas, que alteraram a relação das obras cerâmicas com os seus suportes, com o surgimento do azulejo enquanto elemento de arte pública e, sobretudo, com as diversas formas de abordagem formal, estética e técnica de cada autor à obra cerâmica.
A partir de duas perspectivas de investigação, a presente comunicação pretende apresentar o inventário do azulejo contemporâneo in situ como instrumento de pesquisa e de análise, dando resposta a questões relacionadas com o nível de articulação entre os diversos intervenientes (arquitectos, artistas, urbanistas, decoradores, etc.) ou com a vivência das obras cerâmicas enquanto elementos inscritos no espaço público.
O Az Infinitum – Sistema de Referência e Indexação de Azulejo, desenvolvido pela Rede Temática João Miguel dos Santos Simões (ARTIS-IHA – FLUL), em parceria com o Museu Nacional do Azulejo e a empresa Sistemas do Futuro, procura dar resposta a esta questão tendo sido iniciado, em 2009, um inventário sistemático de revestimentos cerâmicos a partir de projectos de investigação, de dissertações de mestrado e teses de doutoramento cujos resultados podem ser consultados em linha [http://redeazulejo.fl.ul.pt/pesquisa-az/imovel_pesquisa.aspx].
No que diz respeito ao azulejo contemporâneo, a sua inventariação é ainda mais necessária pela falta de sensibilidade das instituições, e população em geral. Em todo o caso, esta situação parece ter vindo a alterar-se, nos últimos anos, numa mudança gradual que tem reflexos na classificação de imóveis, como a sede da Fundação Calouste Gulbenkian ou o Pavilhão de Portugal, e com acções pontuais de protesto com o fim de impedir a destruição e/ou remoção do património cerâmico contemporâneo aplicado.
À semelhança da diversidade que caracteriza a arte contemporânea em geral, o inventário do azulejo contemporâneo, nomeadamente o que foi produzido e aplicado a partir da segunda metade do século XX até aos dias de hoje, apresenta algumas particularidades em relação à produção anterior. No caso do azulejo português, estas especificidades prendem-se, principalmente, com o aparecimento de novas tipologias arquitectónicas, que alteraram a relação das obras cerâmicas com os seus suportes, com o surgimento do azulejo enquanto elemento de arte pública e, sobretudo, com as diversas formas de abordagem formal, estética e técnica de cada autor à obra cerâmica.
A partir de duas perspectivas de investigação, a presente comunicação pretende apresentar o inventário do azulejo contemporâneo in situ como instrumento de pesquisa e de análise, dando resposta a questões relacionadas com o nível de articulação entre os diversos intervenientes (arquitectos, artistas, urbanistas, decoradores, etc.) ou com a vivência das obras cerâmicas enquanto elementos inscritos no espaço público.
Research Interests:
Os viadutos constituem um dos equipamentos contemporâneos mais representativos da profunda alteração que os transportes motorizados impuseram ao cenário citadino, traduzindo uma ideia de mobilidade urbana que, independentemente das... more
Os viadutos constituem um dos equipamentos contemporâneos mais representativos da profunda alteração que os transportes motorizados impuseram ao cenário citadino, traduzindo uma ideia de mobilidade urbana que, independentemente das questões que hoje se levantam sobre a sua validade e eficiência, caracterizam de forma indelével a paisagem das cidades. Em Lisboa conhecem-se vários, alguns dos quais revestidos por azulejos que, de diferentes modos, exploram a integração destes equipamentos nos espaços onde foram edificados. O presente artigo centra-se, precisamente, nesta questão, procurando perceber de que forma as intervenções cerâmicas em viadutos contribuem para a requalificação da paisagem urbana da capital. /// Even considering the issues related with its efficiency, the flyovers are one of the urban equipment that most features the cities landscape, expressing an idea of urban mobility which results from the changes imposed by the motor transportations during the last decades. In Lisbon there are many flyovers, some of them “decorated” with azulejos that, in different forms, try to integrate these structures into their surrounding spaces. This article aims to focus precisely on this issue, trying to understand how the ceramic interventions contribute to the requalification of the city’s landscape.
