Ângela Barreto Xavier
Universidade de Lisboa, Institute of Social Sciences, Faculty Member
The role played by archives in the making of a Portuguese science of imperial administration is scarcely known. Systematic research is still lacking on what literature suggests was a critical dimension in the management of the empire.... more
The role played by archives in the making of a Portuguese science of imperial administration is scarcely known. Systematic research is still lacking on what literature suggests was a critical dimension in the management of the empire. By focusing on the Casa da Índia’s activities of production, record-keeping and retrieving of information and knowledge, this study intends to contribute to a better understanding of the links between empire and Portuguese early-modern archival experiences. For more than a century, the Casa da Índia was the institution responsible for the circulation and storage of commodities, information and people within the Portuguese empire, as well as
the payment of duties and taxes. What challenges did territorial expansion entail for the Portuguese monarchy, and, in particular, for its archival organization and practices?
How did the Casa da Índia register these imperial dynamics? Did its archive materialize the Empire at home? Finally, was its archive relevant to the emergence of a Portuguese science of imperial administration?
the payment of duties and taxes. What challenges did territorial expansion entail for the Portuguese monarchy, and, in particular, for its archival organization and practices?
How did the Casa da Índia register these imperial dynamics? Did its archive materialize the Empire at home? Finally, was its archive relevant to the emergence of a Portuguese science of imperial administration?
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Já vai em mais de cem o número de académicos que são contra a possibilidade de Lisboa vir a ter um "Museu das Descobertas". Numa carta, que o Expresso publica abaixo, historiadores e cientistas sociais explicam porque é que um museu... more
Já vai em mais de cem o número de académicos que são contra a possibilidade de Lisboa vir a ter um "Museu das Descobertas". Numa carta, que o Expresso publica abaixo, historiadores e cientistas sociais explicam porque é que um museu dedicado à expansão portuguesa nunca deverá ter esta designação. A ideia de criar na capital uma instituição como esta foi defendida no programa eleitoral de Fernando Medina, eleito presidente da câmara de Lisboa. Os signatários da carta, na maioria historiadores e cientistas sociais, consideram o nome "Museu das Descobertas" um erro de perspectiva. A lista de signatários não tem parado de aumentar desde que a carta foi tornada pública,na última quinta-feira. Aos portugueses juntaram-se desde então investigadores vinculados às universidades de Harvard, Yale, e UCLA, nos Estados Unidos, ao Collège de France, Sorbonne, EHESS, Paris e a EPHE, Paris, às principais universidades brasileiras, orque é que um museu dedicado à 'Expansão' portuguesa e aos processos que desencadeou não pode nem deve chamar-se 'Museu das Descobertas'? A ideia de construir um 'Museu das Descobertas' na cidade de Lisboa, incluída no programa eleitoral de Fernando Medina de 2017, não é nova, e tem sido objecto, nas últimas semanas, de algumas reexões no espaço público. Num momento em que a capital está a viver um surto de turismo e interesse internacional nunca visto, criar um museu sobre este período histórico pode parecer tentador. Se existem vantagens na criação de um espaço museológico deste tipo, porque é que ele não deve intitular-se 'Museu das Descobertas'? Desde logo, porque essa designação cristaliza uma incorrecção histórica, razão pela qual, como historiadores e cientistas sociais, não podemos estar de acordo com ela. Apesar do vocábulo 'descobrimento', no singular e no plural, ter sido utilizado nos séculos XV e XVI para descrever o facto de se terem encontrado terras e mares desconhecidos na Europa, a verdade é que, na quase totalidade dos casos, ele apenas se refere à percepção da realidade do ponto de vista dos povos europeus. É inquestionável que Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia, para quem, naquela altura, vivia na Europa Ocidental. Precisamente porque um dos aspectos que resultou deste e de outros episódios de 'expansão' foi o contacto entre povos de culturas muito diversas, é que é tão importante considerar o ponto de vista e a percepção de todos os envolvidos. Para os não europeus, a ideia de que foram 'descobertos' é problemática. Terse -ão os povos africanos, asiáticos e americanos, de histórias milenares, sentido 'descobertos' pelos portugueses? E como se sentirão hoje as populações oriundas desses territórios ao visitarem um espaço museológico que priva os seus antepassados de iniciativa histórica, reduzindo-os ao papel de objecto da acção descobridora, muitas vezes violenta, dos portugueses? Sabe-se hoje que, ainda antes da viagem de Vasco da Gama, os chineses ensaiaram programas de navegação que poderiam ter tido como resultado o descobrimento do caminho marítimo para a Europa. Se assim tivesse sucedido, os europeus da época terse -iam sentido 'descobertos' pelos chineses? E os europeus de hoje, incluindo os portugueses, sentir-se-iam bem com a existência, na China, de um museu que evocasse o modo como os chineses tinham posto os europeus na história do mundo? Ou seja, parece evidente que um museu que visa promover, como se propõe no programa eleitoral de Fernando Medina, 'a reexão sobre aquele período histórico nas suas múltiplas abordagens, de natureza económica, cientíca, cultural, nos seus aspectos mais e menos positivos, incluindo um núcleo dedicado à temática da escravatura' não deve chamar-se 'Museu das Descobertas'. Isso seria uma outra forma de reduzir a riqueza e complexidade dos factos históricos a um só ponto de vista – o português. Ou de privilegiar este ponto de vista, impondo-o a outros que dele não partilham. Seria, ainda, recorrer a uma expressão frequentemente utilizada
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Early modern Portuguese political providentialism has attracted significant scholarly interest in recent years. Whether in reference to the legitimization of imperialism in the fifteenth and sixteenth centuries, to the divine... more
Early modern Portuguese political providentialism has attracted significant scholarly interest in recent years. Whether in reference to the legitimization of imperialism in the fifteenth and sixteenth centuries, to the divine justification of royal power in the sixteenth and seventeenth centuries (especially after 1640), to Sebastianism, the Fifth Empire and other forms of millenarism, or to the uses of astrology, scholars have demonstrated that political providentialism was a familiar language to the Portuguese monarchy. Little is known, however, about the formulation and spread of political providentialism in the Asian part of the Por-tuguese Empire. In this paper I provide a more complex picture of the dissemination of this language in the Estado da Índia through an analysis of the treatise Vizão de Affonso Henriques, written in Goa by Friar António de S. Thia-go, in the year 1659. How does this treatise relate to metropolitan political providentialism, namely in the context of the legitimization of the Braganza monarchy? How is Franciscanism crucial in the treatise's structure? And can the treatise be located at the crossroads of Euro-Asiatic political culture? RESUMEN: Mirar a través de la Vizão Feita por Xpo a el Rey Dom Affonso Henriques (1659). Franciscanos en la India y la legitimación de la monarquía Braganza.-En los últimos años el estudio del providencialismo político en el Portugal Moderno ha despertado un significativo interés académico. Ya sea como referencia a la legitimación del impe-rialismo de los siglos XV y XVI, ya a la justificación divina del poder real en los siglos XVI y XVII (sobre todo después de 1640), como al Sebastianismo, al Quinto Imperio y demás formas de milenarismo o a los usos de la astrología, los especialistas han demostrado que el providencialismo era una lenguaje conocido en la monarquía portuguesa. Poco se sabe, sin embargo, de su formulación y propagación en la parte asiática del Imperio portugués. En este traba-jo se propone una imagen más compleja de la difusión del providencialismo político en el Estado de la India a través de un análisis del tratado, Vizão de Affonso Henriques, escrito en Goa por Fray Antonio de S. Thiago en el año 1659. ¿Cómo se relaciona este tratado con el providencialismo político metropolitano, esto es, con el contexto de la legiti-mación de la monarquía Braganza? ¿Jugó el franciscanismo un papel crucial en la estructura del tratado? ¿Puede lo-calizarse este tratado como un cruce de la cultura política euro-asiática?
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Page 1. Disquiet on the island: Conversion, conflicts and conformity in sixteenth-century Goa Ângela Barreto Xavier Institute for Social Sciences of the University of Lisbon This article seeks to address the social and religious ...
