«Archaeology and the Contemporary World» mode...

Universidade de Lisboa

Graduate Student, Centro de Arqueologia

PhD Student (Doutorando)

Faculdade de Letras

Thesis Title: Identidades em trânsito: Contactos culturais e discursos identitários na Idade do Ferro “Orientalizante” e “Pós-Orientalizante” do Sul do actual território português (título provisório); Transiting Identities. Cultural contact and identitary constructs in the Orientalizing and Post-Orientalizing Iron Age of Southern Portuguese territory (working title)

Ana Margarida Arruda

About

Identidades em trânsito: Contactos culturais e discursos identitários na Idade do Ferro “Orientalizante” e “Pós-Orientalizante” do Sul do actual território português
_________________________________________________

O processo histórico iniciado com os primeiros contactos entre os colonos e comerciantes oriundos do Próximo Oriente e as populações peninsulares na primeira metade do I milénio a.n.e. encerra um grande potencial para uma análise interdisciplinar que permita aferir a forma como se construíram e representaram as Identidades – Étnicas, Sociais, de Género – num contexto histórico de intensa interacção cultural. Uma análise que aborde os dados arqueológicos com um quadro conceptual de índole antropológica permitirá aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos que regeram esses contactos e a instalação colonial fenícia, bem como sobre o percurso histórico posterior das populações autóctones, fortemente influídas por essa matriz cultural mediterrânea. O efectivo ascendente conceptual da colonização fenícia poderá, sobretudo, avaliar-se mediante uma análise detalhada de aspectos com uma elevada carga ideológica: a este nível, as práticas religiosas e funerárias merecem uma particular atenção pelo grande potencial que encerram para uma análise do tipo preconizado.

Uma apreciação da vasta historiografia da investigação sobre a colonização fenícia permite afirmar que a análise deste processo histórico, como de outros, tem privilegiado os aspectos comerciais da interacção entre as populações de origem oriental e as sociedades autóctones, a par das transferências tecnológicas e das transformações sociais e políticas que a mesma acarreta, deixando em grande medida para segundo plano as suas facetas religiosas, conceptuais e simbólicas. Recentemente, contudo, tem-se verificado no discurso arqueológico o desenvolvimento de um interesse crescente pelo papel jogado por esses aspectos no estabelecimento de laços e na estruturação de relações sócio-económicas entre Fenícios e Indígenas. O avolumar dos estudos sobre os contextos de culto, de que se destacam os numerosos dados hoje disponíveis para a Baixa Andaluzia, para o mundo “Ibérico” do Levante e da Catalunha e também já para o território português, permite hoje afirmar que a religião se encontrou na primeira linha dos contactos estabelecidos, vindo colocar importantes questões sobre a recepção e representação das práticas cultuais forâneas nos contextos locais. Também ao nível do registo funerário a investigação tem progredido, devido sobretudo à revisão dos quadros epistemológicos e das agendas de investigação, que transcendem hoje a mera análise tipológica colocando na ordem do dia as questões de organização social e de representação identitária, dois aspectos em relação aos quais os contextos funerários podem ser particularmente reveladores. Finalmente, ao nível das análises iconográficas, é de salientar uma viragem no sentido de uma apreciação cada vez mais contextual que procura não apenas tipificar as manifestações estéticas e artísticas e rastrear-lhes protótipos exógenos, mas antes enquadrá-las no tecido social, político e económico como forma de aferir os seus significados para os grupos que as geraram e manipularam. Por outro lado, o progresso da investigação arqueológica permite hoje afirmar que a interacção entre populações orientais e autóctones terá sido mais próxima e dinâmica do que outrora se pensava, fazendo hoje cada vez menos sentido a manutenção de uma concepção dialéctica e monolítica destes grupos, que se terão influenciado mutuamente a vários títulos. Uma renovada ênfase na componente indígena tem permitido reequilibrar um panorama que, dentro de um quadro de referência tradicional, valorizava mais as contribuições das populações orientais, cujo modelo civilizacional se considerava mais “evoluído”. Em paralelo, a análise histórico-arqueológica tem igualmente logrado a construção de uma imagem bastante expressiva das especificidades das comunidades orientais implantadas no Extremo Ocidente e do seu devir histórico, para lá das leituras tradicionais que sempre as encararam como submetidas, política e culturalmente, primeiro a Tiro e, após a queda da metrópole oriental, a Cartago. Com este panorama, os modelos tradicionais que encaram as relações entre Fenícios e Indígenas como de pura aculturação ou como meramente instrumentais do ponto de vista da afirmação das elites locais parecem, ambos, cada vez mais inoperantes. Emerge, antes, um quadro histórico dinâmico, exigindo uma reflexão sobre as práticas de representação identitária que assente em ferramentas conceptuais e metodológicas interdisciplinares numa tentativa de compreender a mecânica do diálogo entre culturas e da síntese inter-cultural.

O presente projecto de investigação visa sistematizar os dados arqueológicos disponíveis sobre as práticas religiosas e funerárias sidéricas, a par das representações iconográficas, enquanto elementos dotados de grande potencial para a reconstrução de discursos identitários. Pretende-se apresentar novos dados e reavaliar outros já conhecidos adoptando para o efeito um quadro metodológico interdisciplinar norteado por um inquérito de natureza histórico-antropológica, aplicando as principais contribuições do campo das Ciências Sociais e Humanas para o estudo das Identidades ao processo histórico em análise. O principal objectivo deste trabalho passa pela avaliação dos impactos conceptuais da interacção entre as populações orientais e as sociedades indígenas, procurando aferir, por um lado, a forma como se projectaram as Identidades destes dois grupos no contexto do estabelecimento e consolidação de laços económicos, sociais e políticos e, por outro, a forma como os elementos introduzidos pela colonização Fenícia foram adoptados e manipulados pelas sociedades autóctones no seio de discursos próprios, vinculados quer à sua representação face às populações exógenas quer também entre si, no contexto da formação de novas entidades políticas e também, possivelmente, étnicas. É também objectivo desta abordagem procurar avaliar de que forma se construíram as Identidades e relações de Género, num contexto de convivência estreita entre grupos culturalmente distintos que terá ditado a emergência e aplicação de normas sexuais estritas, necessárias para a própria coesão do grupo, mas que também poderão ter jogado um substancial papel político. Assumindo o território português como caso de estudo, este projecto visa contribuir para estabelecer uma imagem mais completa das relações entre Fenícios e Indígenas, dos mecanismos conceptuais pelos quais estas se terão pautado e da forma como os laços e redes de influência assim estabelecidos terão influenciado a articulação de discursos de pertença e de identidade.

Contact Information

Homepage:

http://www.uniarq.net/francisco-gomes-cv.html

 
Current Anthropology
Complutum
Gerion

x

Log In

or reset password

Reset Password

Enter the email address you signed up with, and we'll send a reset password email to that address

Academia © 2012