É sabido que a história do regime que vigorou em Portugal desde 28 de Maio de 1926 até ao 25 de Abril de 1974 está por fazer. Múltiplas são as razões que explicam o facto, desde a própria natureza do dito regime até à falta de estudos de...
moreÉ sabido que a história do regime que vigorou em Portugal desde 28 de Maio de 1926 até ao 25 de Abril de 1974 está por fazer. Múltiplas são as razões que explicam o facto, desde a própria natureza do dito regime até à falta de estudos de envergadura sobre o Portugal do século xx. Já nos últimos anos do regime, todavia, e sobretudo depois do 25 de Abril, um princípio de atenção por esta época contemporânea se começa a descortinar. Dado poder-se presumir que certos documentos da época, ainda que de acesso relativamente fácil, não são conhecidos pela maioria do público interessado, achou-se que valia a pena apresentar uma recolha ordenada, tão significativa quanto possível, sobre o período do advento do fascismo em Portugal. Acontece, porém, que o volume de documentos retidas ultrapassou rapi- damente o que seria aceitável em termos de publicação numa revista como a Análise Social, Assim, optou-se por publicar apenas uma pequena parte desses documentos, referenciada ao sidonismo e à Monarquia do Norte (documentos a que o artigo «A Grande Guerra e o sidonismo», in- cluído também no presente número de Análise Social, serve de introdução genérica). Todo o resto de material, já recolhido ou em vias de o ser, consti- tuirá um fundo documental permitindo a elaboração e posterior publicação de diversas monografias temáticas. E isto sem prejuízo do objectivo que se mantém de trabalhos de maior fôlego, visando a interpretação e explicação globais do período, procurando detectar especificamente as manifestações político-ideológicas de carácter fascizante, pré ou proto-fascistas, ou mesmo declaradamente fascistas, de que a cena histórica portuguesa foi mais fértil do que se julga, logo desde o desencadear da primeira guerra mundial. Anote-se, por último, que o termo fascismo, cuja aplicação ao regime português do 28 de Maio só agora começou realmente a ser discutida \ é aqui utilizado em sentido lato e não pretende antecipar-se, preconcebida- mente, aos resultados da investigação no que respeita à sua maior ou menor adequação ao regime português em causa. É óbvio, por outro lado, que o emprego do termo fascismo, mesmo em sentido lato, não postula uma homogeneidade e uma continuidade totais e perfeitas do dito regime desde o primeiro ao último dia da sua longuíssima vigência.