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Ana Pato
  • Portugal
Partindo de uma posição marxista, procura-se colocar em evidência a im-portância da dialéctica na ciência, não só enquanto método, mas também enquanto atributo do objecto da ciência a qual, em nome de uma maior inteligibilidade, deve... more
Partindo de uma posição marxista, procura-se colocar em evidência a im-portância da dialéctica na ciência, não só enquanto método, mas também enquanto atributo do objecto da ciência a qual, em nome de uma maior inteligibilidade, deve procurar reflecti-lo na sua dinâmica, inter-relação e contradição intrínsecas. Com esta intenção de fundo, trata-se aqui especificamente o caso da mecânica quântica e procura-se mostrar como a interpretação ortodoxa da mecânica quântica, actualmente vigente, com o seu princípio da complementaridade, é resultado de uma abordagem não dialéctica (mesmo que dela se reclame) nomeadamente da relação entre as propriedades ondulatórias e corpusculares da matéria. Neste contexto, pretende-se nomeadamente discutir de que forma a categoria de contradição dialéctica pode fornecer um quadro conceptual útil à ciência no sentido da superação daquela posição dualista, expressa no princípio da complementaridade, e de uma compreensão das relações recíprocas entre onda e corpúsculo, assente na defesa da possibilidade do conhecimento (científico) do mundo na unidade em que ele verdadeiramente consiste.
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"A ideologia tem um carácter de classe. Mas nem por isso exprime tão-só um estado de espírito. Na realidade, defende os interesses de classes e de camadas sociais determinadas. De onde se segue que para se fazer uma ideia exacta da sua... more
"A ideologia tem um carácter de classe. Mas nem por isso exprime tão-só um estado de espírito. Na realidade, defende os interesses de classes e de camadas sociais determinadas. De onde se segue que para se fazer uma ideia exacta da sua signifi cação histórica profunda, forçoso é aplicar sempre esta crítica de princípio a cada corrente ou tendência ideológica, pondo-se, entre outras, as seguintes perguntas de base: Que ideias sociais ela professa? A quem se dirige? Que inte-resses de classe serve? Ou ainda: Que tendências ideológicas contra-ditórias representam as obras em cada forma da consciência social e como, precisamente, elas representam estas tendências? Enfi m, em quê e de que são representativas? Todas estas perguntas colocam-se-nos hoje; e estas não são as únicas". Estas palavras são de Vasco de Magalhães-Vilhena e constituem o parágrafo inaugural do seu escrito Da Ideia de Progresso na Antiguidade. Pois é precisamente a esta "crítica de princípio" que o homenageado incansavelmente tantas vezes procede. O que revela, desde logo, no seu método, na sua forma de inquirição, aquela que é a sua orientação marxista.
*Jornada de Homenagem a Vasco de Magalhães-Vilhena: Historiador Social e das Ideias
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In the XXth century, the development of science has posed new challenges to physicists. Waves have exhibited a corpuscular behaviour while particles have exhibited undulatory behaviour, but never simultaneously. This difficulty led Bohr... more
In the XXth century, the development of science has posed new challenges to physicists. Waves have exhibited a corpuscular behaviour while particles have exhibited undulatory behaviour, but never simultaneously. This difficulty led Bohr to adopt the principle of complementarity, the figure by which the contradiction between wave and corpuscle is fixed. Thus the opposition between wave and corpuscle is absolutized. I think it was the non-consideration of dialectics that prevented Bohr from advancing towards the resolution of that objective contradiction, that was about to be reflected on the theory.
Consequently, it is the objective reality, in its unity and as a contradictory totality, that is removed from the theory. The scientific theory gives up the search for the internal connection of phenomena and its task becomes the mere ordination of such phenomena.
The repression of the internal contradiction of reality has a second consequence in Bohr’s thought: objectivity becomes internal to language and it is considered under the figure of intersubjectivity. In fact, Bohr, by putting the correlation between object and measuring instrument (by making the phenomenon dependent of the experience, of the human practice) as the instance in which knowledge is founded, is denying the possibility that there is a content of human representations that does not depend on the subject, i.e. is denying the possibility of objectivity.
These are the general guidelines on which I will argue.
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O desenvolvimento da ciência no século XX colocou aos físicos novos desafios. As ondas revelavam um comportamento corpuscular e as partículas comportamento ondulatório. Mas nunca simultaneamente. Essa dificuldade levou Bohr a adoptar o princípio da complementaridade, figura através da qual a contradição entre onda e corpúsculo se vê fixada. A oposição entre onda e corpúsculo é, assim, absolutizada. Penso que foi a não consideração da dialéctica que impediu Bohr de avançar no sentido da resolução daquela contradição objectiva que ameaçava reflectir-se na teoria.
Como consequência, é a realidade objectiva, na sua unidade e enquanto totalidade contraditória, que se vê despedida da teoria. A teoria científica desiste de procurar a conexão interna dos fenómenos e a sua tarefa passa a ser a mera ordenação daqueles fenómenos.
Este recalcamento da contradição interna da realidade tem uma segunda consequência em Bohr: a objectividade passa a ser interna à linguagem e passa a ser pensada sob a figura da intersubjectividade. De facto, Bohr, ao colocar a correlação entre objecto e instrumento de medida (ao fazer depender o fenómeno da experiência, da prática humana) como a instância em que o conhecimento se funda, está a negar a possibilidade de que haja um conteúdo das representações humanas que não dependa do sujeito, isto é, está a negar a possibilidade da objectividade.
Estas são as linhas gerais do que procurarei argumentar.
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Lénine expôs e desenvolveu um conjunto de aspectos da teoria do conhecimento na sua obra Materialismo e Empiriocriticismo. Nela, o autor analisa o confronto entre as correntes materialistas e idealistas na ciência do seu tempo. Em... more
Lénine expôs e desenvolveu um conjunto de aspectos da teoria do conhecimento na sua obra Materialismo e Empiriocriticismo. Nela, o autor analisa o confronto entre as correntes materialistas e idealistas na ciência do seu tempo. Em particular, analisa aquilo a que chama “idealismo físico”, isto é, a tendência de alguns físicos para interpretarem de forma idealista os resultados de um ramo das ciências. Lénine apontou como uma das razões para a crise da física a negação do valor objectivo das suas teorias: “a matéria desaparece, restam apenas as equações”.

O confronto entre estas duas linhas filosóficas fundamentais, o materialismo e o idealismo, permaneceu ao longo dos tempos. Para compreender as formas que esse confronto assume na ciência actual, estudar Materialismo e Empiriocriticismo é da maior relevância.

Nesta obra, procura-se mostrar que a interpretação ortodoxa da mecânica quântica – tomada a partir dos textos de Bohr – está profundamente marcada por tendências agnósticas e idealistas. Em particular, conclui-se que Bohr antepõe, como condição de possibilidade, uma correlação entre objecto e instrumento de medida que é, no fundo – para além de um limite epistemológico inultrapassável –, a negação da independência ontológica do ser face à prática (do ente quântico face à experiência): trata-se de um “idealismo da práxis”. Bohr não pôde resolver o problema central da mecânica quântica, o dualismo onda-corpúsculo, porque não considerou dialecticamente a unidade e a contradição do ser, acabando por “desmaterializar” a teoria, negando assim a teoria científica como reflexo aproximadamente verdadeiro da realidade objectiva.

// Dissertação de Mestrado em História e Filosofia das Ciências, 2012, Universidade de Lisboa, Secção Autónoma de História e Filosofia das Ciências. Orientação: professora doutora Olga Pombo.
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Materialismo_e_Idealismo_na_Fisica.pdf
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De 29 a 31 de Outubro de 2012 realizou-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa o Simpósio Internacional de Epistemologia, Lógica e Linguagem. O evento foi organizado pelo Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de... more
De 29 a 31 de Outubro de 2012 realizou-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa o Simpósio Internacional de Epistemologia, Lógica e Linguagem. O evento foi organizado pelo Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa (CFCUL) e pelo Grupo de Lógica, Lenguaje e Información (GILLIUS) da Universidade de Sevilha no contexto do projecto internacional "Knowledge Dynamics in the Field of Social Sciences: Abduction, Intuition and Invention" -  Acções Integradas Luso-Espanholas. 

Cumprindo o dever de divulgação e promoção da investigação que se realiza no CFCUL, o volume que agora se publica reúne 12 artigos de entre as 39 comunicações apresentadas no Simpósio.

Esses estudos ocupam-se de temas diversos no âmbito geral da filosofia da ciência. É, contudo, possível assinalar alguns cruzamentos temáticos, nomeadamente em torno da filosofia da física e da matemática, da teoria dos modelos, das questões da crença e da lógica, sobretudo abdutiva.
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capa_completa_Doc_11_print.pdf
MIOLO_6_FINAL_IMPRESSAO20190814-80730-2ocv78.pdf